quarta-feira, 7 de março de 2012

Hugo Chávez: quando a utopia roça a realidade


por Octupus

No ocidente, a Venezuela pode parecer um país folclórico com as suas crises e o seu presidente carismático que desafia os Estados Unidos à custa do seu petróleo. Mas para além das imagens fáceis, não devemos ignorar que este país está a viver um profundo processo de transformação social e os resultados positivos estão à vista.

Para além da propaganda ocidental que ridiculariza e estigmatiza Hugo Chávez, ao olhos dos mais mal informados, a realidade dos números é eloqüente, a Venezuela progrediu muito nestes 14 anos de governação.

Desde a sua eleição em 1998, Hugo Chávez levou a cabo uma transformação económica e social que melhorou em muito o nível de vida de uma população que cultivava o paradoxo de ser um dos países mais ricos do continente americano e de viver na pobreza.

Digam o que disserem, o presidente é apreciado pelo seu povo. Três eleições presidenciais, em 1998, 2000 e 2006 com 60% de votação.

Esta popularidade explica-se em parte pelas reformas econômicas e sociais que permitiram melhorar o nível de vida da população. No entanto, nem tudo foi fácil. Foi vítima de um golpe de estado planeado pelos Estados Unidos em abril de 2002. tendo sido “salvo” pela extraordinária mobilização popular.

Nacionalizações

Em 2003, o governo toma o controlo da empresa de Estado de Petróleos da Venezuela (PDVSA) nacionalizando este sector. Atualmente detém 60% de participações no petróleo venezuelano. Em maio de 2007, nacionaliza a Orenoque, que possui as maiores reservas mundiais de petróleo.

Antes, a multinacionais extraíam o barril de petróleo com um custo de produção de 4 dólares e vendiam-no ao estado da 

Venezuela ao preço de 25 dólares. Com este novo sistema, o estado poupo 3 mil milhares de dólares. O governo também decidiu aumentar o imposto sobre os lucros de 34% para 50%, após ter constatado que várias empresas fugiam ao fisco.

O governo nacionalizou várias empresas de electricidade e de telecomunicações que detinham um verdadeiro monopólio. Assim, as empresas Compañia Anónima Nacional Teléfonos de Venezuela S. A. (CANTV) e Electicidad de Caracas, detidas por capitais americanos passaram para controlo do estado venezuelanos.

Agricultura

O governo de Hugo Chavez recuperou cerca de 3 milhões de hectares, ou seja 28,74% de terras produtivas aos latifundiários. No total, cerca de 6.5 milhões deverão ser nacionalizados. O objectivo é obter a independência agrícola. 49% das terras recuperadas foram redistribuídas aos camponeses com apoio de meios técnicos e financeiros, até então esses camponeses eram escravos dos grandes proprietários. Estas reformas permitiram à Venezuela um crescimento nos últimos dois anos de 11,2%, neste sector.

Uma revolução social

As nacionalizações de vários sectores da economia trouxeram uma mais-valia que permitiu uma verdadeira revolução social. Senão vejamos: o programa Fonden, criado para financiar os mais necessitados.

O nível de pobreza passou de 20%, em 1998, para 9,5%. O desemprego passou, nesse mesmo período de 16% para 7%. O nível de desigualdade regrediu em 13%. Os beneficiários de pensão de reforma aumentaram em 218%.

O PIB da Venezuela passou de 88 mil milhões de dólares, em 1998, para 257 mil milhões em 2008. 98% da população tem agora água potável.

O salário mínimo mensal passou de 118 dólares em 1998 para 286 dólares em 2008, o mais elevado do continente. Em 1996 era de 36 dólares. As mulheres solteiras e os deficientes recebem o equivalente a 80% do salário mínimo. O horário de trabalho é de 6 horas, 36 horas semanais.

Educação

O novo acesso à educação permitiu que 1,5 milhões de venezuelanos aprendessem a ler, isto à custa de uma grande campanha de alfabetização. A própria UNESCO declarou que o iletrismo estava erradicado na Venezuela. Essa organização declarou também, que a Venezuela era o quinto país do mundo com mais universitários.

Todo o ensino é gratuito, incluindo o acesso ao ensino superior. Praticamente 100% das crianças estão escolarizadas, sendo que na primária os alunos beneficiam de três refeições por dia.

Os Media

Para quem acusa o governo da Venezuela de controlar os meios de informação, aqui ficam alguns números: em 1998 havia 291 rádios FM privadas, 9 públicas e nenhuma comunitária, em 2008 eram 472 rádios Fm privadas, 79 públicas e 243 comunitárias.

Na televisão mesma coisa, em 1998, haviam 26 televisões privadas e 2 públicas, em 2008 eram 65 televisões privadas e 6 estatais (VTV, Telesur, Vit Tv, Tves, Avila TV, ANTV) e 35 comunitárias.

Luta contra a droga

Apesar da Venezuela ser palco de um grande tráfico de droga, em 2010 foram apanhados 64 000 kg de droga, 17 chefes de organizações criminosas presos e 18 laboratórios de droga desmantelados, sendo que a Venezuela foi um dos países do mundo que mais lutou contra a droga.

Saúde

O sistema nacional de saúde foi criado para permitir o acesso ao cuidados de saúde a todos os venezuelanos de uma forma totalmente gratuita. Este permitiu que a taxa de mortalidade infantil descesse para números inferiores a 10 por mil.

Para eliminar os problemas de mal-nutrição, o governo criou a chamada “Missão Alimentar”. São lojas estatais, as “Mercal”, cujos artigos são subvencionados pelo Estado em 30%. 14 000 pontos de venda e metade da população faz aqui as suas compras. 4 milhões de crianças recebem alimentação gratuita através do programa de alimentação escolar, eram 250 000 em 1998.

Solidariedade internacional

A Venezuela antecipou e reembolsou ao FMI e ao Banco Mundial. Criou o “Banco do Sul” destinado a promover a integração económica regional, que permitiu doar em 2007 8,8 mil milhões de dólares aos países da América do Sul.

Democracia participativa

A democracia participativa foi reforçada com novas leis que aumentam o poder dos chamados “Conselhos Municipais” que permitam uma certa autogestão e organização do poder territorial.

Desde 2006, foram criados pequenos grupos de 200 a 400 famílias que decidem em assembléia quais são as necessidades municipais, como por exemplo, a construção de esgotos ou o fornecimento hospitalar. O governo fornece então a esses municípios o dinheiro necessário, através de uma “Banca Municipal”, sem passar pelos presidentes das juntas.

A idéia é que pouco a pouco esses Conselhos Municipais tenham cada vez mais poder e consigam uma autogestão popular direta. Mais tarde, eles serão agrupados em associações e depois federações. A médio prazo, os presidentes de junta e governadores irão desaparecer.

Os Conselhos Municipais são benéficos, porque permitem a discussão dos problemas reais da comunidade e um empenho das populações na resolução dos seus problemas, apesar de limitados por dependerem do fornecimento estatal, havendo o risco de poder instalar-e uma relação vertical de clientelismo.

O objectivo de uma reorganização do poder territorial constitui uma verdadeira revolução. A concepção clássica de uma república dividida em províncias será substituída por cidades comunitárias com poderes de auto-administração e auto-governação. O Ministério da Economia Popular transfere o dinheiro aos Bancos Municipais organizados em cooperativas que utilizarão esse dinheiro de acordo com o que foi decidido nas assembleias de cidadãos.

Muito ainda está por fazer: descentralização do poder executivo, actualmente nas mãos de um só homem, Hugo Chavez; reforma do sistema do sistema judiciários; luta contra a corrupção; luta contra criminalidade, sobretudo nas grandes cidades; diversificação dos meios produtivos para não fazer depender a economia unicamente dos rendimentos petrolíferos. Mas muito foi feito, ao longo destes 14 anos de chavismo, numa altura em que a economia mundial atravessa uma crise financeira sem precedentes, a Venezuela representa uma alternativa credível ao neoliberalismo selvagem.

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Textos consultados:

http://risal.collectifs.net/spip.php?article2121

http://www.cbparis.net/article-29363856.htm

Cuba é uma bosta: medicina cubana cria vacina contra aids e inicia fase de testes em humanos



por Gilson Sampaio

De acordo com a mídia venal e venezuelizada Cuba é um país de merda, um exemplo pronto e acabado do fracasso ao recusar o glorioso modelo imperialista.

Semana passada foi encerrada a XXI Feria Internacional del Libro em Santiago de Cuba com o registro de 2,5 milhões de visitantes num universo de 11 milhões de habitantes. Atenção: quase 25% da população. Não há analfabetismo na Ilha e nenhuma criança dorme nas ruas como acontece fora da Ilha. Lá não tem Big Brother.

O IDH de Cuba é dos maiores do planeta e espalha solidariamente sua medicina mundo afora, como atualmente faz no esquecido Haiti, onde permanecem mais de 1000 cubanos desde o terremoto. Até mesmo a dona ONU, de triste lembrança, canta loas para Cuba.

O acesso aos seviços de saúde é universal no sentido amplo da palavra, até americanos procuram a medicina cubana como pode ser visto no documentário Sicko, de Michael Moore.

Não bastasse a vacina contra câncer de pulmão, adotada rapidamente pela colônia americana de nome Inglaterra, Cuba anuncia uma probabilidade para a cura da aids. Você não verá esta notícia anunciada na mídia venal e venezuelizada.

Apesar do criminoso embargo de que é vítima do império americano há mais de cinquenta anos, a altiva e soberana Cuba dá o exemplo de um outro mundo possível e quanto teria para oferecer ao mundo seu povo educado e culto.

Essa Cuba é mesmo uma bosta.

Fontehttp://gilsonsampaio.blogspot.com/2012/03/cuba-e-uma-bosta-medicina-cubana-cria.html

terça-feira, 6 de março de 2012

Canalhice de Yoani Sánchez no Twitter é noticiada também pela mídia burguesa brasileira


Investigação descobre fraude da blogueira cubana Yoani Sánchez

do Jornal do Brasil

por Jorge Lourenço



Velha opositora do governo cubano, a blogueira Yoani Sánchez teve um dos seus truques revelados pelo jornalista francês Salim Lamrani. De acordo com uma investigação conduzida por ele, o perfil de Yoani Sánchez no Twitter é artificialmente "bombado" por milhares de perfis falsos. 
Generación Y
Sob o nome de Generación Y, o mesmo do blog que a deixou famosa, o perfil de Yoani no microblog tem 214 mil seguidores. Considerada pela mídia estrangeira como "influente", ela é seguida por apenas 32 cubanos. Mas as estranhezas não param por aí. 
Super-seguidora
Yoani segue 80 mil pessoas no Twitter, um número completamente descabido. Conforme Salim Lamrani apurou, a blogueira cubana usa sites de troca de seguidores para aumentá-los e parecer mais popular na internet. Em troca de receber novos usuários, ela precisa segui-los. Daí a razão para seguir 80 mil perfis no Twitter. 
Super-seguidora II
A fraude da cubana não para por aí. Do total, cerca de 47 mil seguidores do Yoani são falsos. São usuários que não são seguidos por ninguém, não seguem ninguém mais exceto a própria blogueira e sequer têm fotos de perfil. 
O medo chama
Vazamentos recentes do Wikileaks indicam que o sucesso de Yoani na internet também tem o dedo do governo norte-americano. Nas correspondências, funcionários do governo americano mostram preocupação com as mensagens pessoais da blogueiras, que poderiam comprometê-la internacionalmente. 
Escândalo abafado
A cubana, aliás, protagonizou um dos momentos mais pitorescos da imprensa internacional nos últimos anos. Ela convocou vários jornalistas para uma coletiva de imprensa na qual explicaria um suposto sequestro seguido de espancamento em público. Os agressores seriam integrantes do governo de Fidel Castro. 
Só que Yoani apareceu na coletiva sem qualquer traço de agressão no corpo, não soube explicar como as manchas sumiram num intervalo de 24 horas e não apresentou qualquer testemunha. 

Digressão de Sísifo CLIII

por Paulo Jonas de Lima Piva

"Venho aqui tomar café só para ver as suas covinhas". Engoli a seco essa verdade impotente, enquanto ela, linda, numa morenice e formosura meninas, perguntava-me melodiosa se era com açúcar ou adoçante...

As opções de classe de Boris Casoy


por Altamiro Borges


Boris Casoy, âncora da TV Bandeirantes, nunca disfarçou o seu elitismo. Ele adora paparicar os ricaços e as “celebridades”. Circula neste meio e é venerado pelos abastados e por setores da classe “mérdia”. Num vídeo que vazou no final de 2009, ele deixou explícito o seu desprezo pelo povo:  
“Que merda. Dois lixeiros desejando felicidades... do alto das suas vassouras... Dois lixeiros. O mais baixo da escala do trabalho”. 
Na sequência, Casoy até pediu desculpas, com cara de sonso, pelo “vazamento”, mas não por suas ideias discriminatórias. Mas a mídia tratou de abafar o caso e ele continuou com as suas sandices elitistas e preconceituosas numa concessão pública de TV.  
Boris Casoy também nunca escondeu o seu ranço contra qualquer força de esquerda – no Brasil, na América Latina e no planeta. Ele até hoje nega que tenha pertencido ao Comando de Caça aos Comunistas (CCC), o grupo terrorista que agiu com desenvoltura durante a ditadura militar. Mas o direitismo está no seu DNA.  
Um de seus alvos prediletos é Lula – talvez por causa da sua origem operária, da sua história como líder sindical e grevista e da alta popularidade de seus dois mandatos. “Que merda, um peão!”, deve pensar Boris Casoy. Este ódio foi novamente escarrado em 24 de fevereiro, num comentário leviano e maldoso em que ele acusa o ex-presidente pela morte da empresária Eliana Tranchesi.    
A reportagem até cita que a famosa dona da butique de luxo Daslu foi condenada a 94 anos de prisão por crimes de formação de quadrilha e fraudes em importações. Também informa que ela foi presa – por um dia! No final, Casoy espirra o seu ataque ao ex-presidente: “Eliana foi exposta à execração pública e humilhada, o que deve ter contribuído e muito para o câncer que a matou”.   
Este comentário criminoso, que até poderia ser alvo de investigações se não imperasse no Brasil a libertinagem de imprensa, não causa surpresa. Ele faz parte da campanha doentia do jornalista contra Lula. No auge da crise do chamado “mensalão do PT”, o banqueiro Jorge Bornhausen, presidente do ex-PFL, chegou a propor que Boris Casoy liderasse o pedido deimpeachment de Lula.   
A coluna “Painel” da Folha de S.Paulo registrou a tramóia em 9 de abril de 2006: “A oposição já busca na sociedade civil um nome para encabeçar o pedido de impeachment de Lula, assim como Barbosa Lima Sobrinho fez com Fernando Collor... Miguel Reale Jr., ex-ministro da Justiça de FHC, e o jornalista Boris Casoy estão cotados para subscrever a peça [doimpeachment]”.   
Casoy nunca escondeu seu ódio de classe ao ex-presidente Lula, às greves de trabalhadores, às ocupações de terra do MST. Ele prefere lamentar a “execração pública” da “humilhada” proprietária da Daslu!

Artigo originalmente publicado na edição impressa 470 do Brasil de Fato

domingo, 4 de março de 2012

Posição das FARC não significa rendição


por Gabriel Bonis

A homossexualidade entre as chimpanzés fêmeas




Por 'status', chimpanzés fêmeas 'exageram prazer' em relações homossexuais

Bocejo de Sísifo LXXIX

por Paulo Jonas de Lima Piva

Máxima do solilóquio tenso de um esquizofrênico (com uma lata de Brahma na mão e óculos escuros) na última poltrona de um ônibus para Itapira: "O cão só é o melhor amigo do homem porque ele não conhece dinheiro!"

Filósofo marxista autor de "Nietzsche, o rebelde aristocrata", fala da relação do pensamento do filósofo alemão com o liberalismo e o racismo



Ode improvisado de Jim Morrison à deslumbrante loucura de Friedrich Nietzsche

Novos Pinheirinhos: MTST ocupa dois terrenos na grande São Paulo


http://www.mtst.org/index.php/inicio/265-novo-pinheirinho-mtst-ocupa-dois-terrenos-na-grande-sao-paulo.html

Demóstenes Torres, senador do DEM que é contra as cotas raciais na universidade e que responsabilizou os próprios negros pela escravidão brasileira, é pego em gravação com liderança do jogo do bicho



Gravações mostram relações entre Demóstenes Torres e bicheiro

do Esquerdopata



http://esquerdopata.blogspot.com/2012/03/gravacoes-mostram-relacoes-entre.html?utm_source=feedburner&utm_medium=feed&utm_campaign=Feed%3A+OEsquerdopata+%28O+Esquerdopata%29


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Leia também:


DEM corresponsabiliza negros pela escravidão

http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u702198.shtml




"DEMÓSTENES TORRES (DEM) TENTA IMPUTAR AOS NEGROS A RESPOSANBILIDADE PELA ESCRAVIDÃO"

http://amigosdatvbrasil.blogspot.com/2010/03/demostenes-torresdem-tenta-imputar-aos.html

As políticas do governo cubano contra a homofobia e as mentiras da máfia midiática sobre a situação dos homossexuais em Cuba

Notícias do paraíso neoliberal: igreja evangélica dos EUA cura homossexualidade com choques elétricos, perfurações e queima de partes do corpo


Jovem gay submetido a sessão de ‘cura’ em Igreja foi eletrocutado, queimado e perfurado

do Pragmatismo Político

"Presidente Pueblo": documentário sobre Hugo Chávez e a Revolução Bolivariana

As mentiras e outras manipulações da máfia midiática sobre o câncer de Chávez

Por um Estado efetivamente laico e democrático: campanha pelo fim da imunidade tributária e de outros privilégios às igrejas

sábado, 3 de março de 2012

Rousseau, Pinheirinho e o Direito



por Mauro Iasi


http://boitempoeditorial.wordpress.com/2012/02/15/rousseau-pinheirinho-e-o-direito/

O ateísmo de Bertrand Russell

Você manipulado: entenda por que os grandes grupos midiáticos são poderosas máfias a serviço dos seus próprios interesses

do Youtube

Este vídeo mostra o que se esconde por trás dos ataques sistemáticos da mídia brasileira contra a presidenta da Argentina, Cristina Kirchner.

Para entender o jogo da mídia contra o que chamam de "kirchnerismo" é importante contextualizar a situação. Antes, vamos usar uma analogia metafórica.

Você mora numa grande cidade em que três padarias controlam a qualidade, a variedade e o preço dos pães que você consome. E uma antiquada lei diz que só os políticos podem liberar concessões para novas padarias. E a maioria dos políticos (responsáveis pela tal lei) são donos das padarias; ou amigos destes; ou representantes dos mesmos. Daí, um governante assume a responsabilidade para criar uma nova lei que visa quebrar o cartel, dificultar o monopólio e facilitar o surgimento de novas padarias. O que faz o sindicato dos donos das padarias? Começa a espalhar panfletos dizendo que o governante quer controlar a produção de pães na cidade e ameaça a sua liberdade de escolher o pão que você vai comer. Agora, imagine se, em vez de mandar imprimir panfletos, os donos das padarias fossem donos de todos os meios de comunicação (jornal, rádio, tv etc) disponíveis. E tente imaginar se, em vez de pãezinhos, os produtos em questão fossem as notícias que influenciam a vida todos na cidade. Uma vez exposta esta metáfora, vamos conhecer um pouco a história da imprensa na Argentina para entender o que isto tem a ver com o Brasil.

Na Argentina, a grande mídia privada era tradicionalmente "chapa-branca", principalmente a partir de 1978 -- quando o ditador Rafael Videla praticou de forma criminosa a expropriação da empresa Papel Prensa, que detinha o monopólio da produção de papel no pais. Videla cedeu a Papel Prensa para três grupos: Clarin, La Nacion e La Razion (Hoje com prevalência do Clarin e o La Nacion). A contrapartida para tal "caridade" era clara: os grupos teriam que ter um "objetivo comum", ou seja, dar vazão ao "projeto" de um governo ditatorial, corrupto, violento e entreguista. Com tal golpe, os grupos empresariais passaram a controlar toda a imprensa escrita e adquiriu um poder extraordinário, cartelizando o setor e esmagando a concorrência. Inclusive, correm hoje na justiça da Argentina processos que cuidam de julgar graves acusações de crimes -- seqüestros, assassinatos etc -- cometidos por conta do golpe na Papel Prensa.

Ante o nebuloso passado, não é difícil entender o porquê de os grupos Clarin e La Nacion terem assumido, até o governo Duahlde (antecessor de Nestor Kirchner), uma postura "chapa-branca". Pois qualquer governante que ousasse pôr a mão no vespeiro da sórdida história por trás dos poderosos barões da mídia, obviamente perderia a "simpatia" dos mesmos. Foi o que fez Nestor Kirchner. Sua sucessora, Cristina Kirchner, foi mais além: deu amplo apoio à reformulação das antiquadas leis das comunicações que davam suporte às injustiças; ao monopólio. É a chamada Ley de Médios -- uma revolução na democratização das comunicações --, reverenciada pela maioria dos jornalistas argentinos e que o relator da ONU para a liberdade de expressão, Frank La Rue, definiu como "a mais avançada legislação em favor da liberdade de expressão da América Latina e um exemplo para o mundo". Assim, é tremenda má-fé dizer que Cristina Kirchner estaria cerceando a liberdade de imprensa porque a grande mídia faz oposição ao governo dela. Porque se você raciocinar bem, para o "kirchnerismo" seria muito mais cômodo deixar tudo como está: a grande imprensa elogiando o governo de um lado e a histórica injustiça assombrando de outro lado, com a prevalência do jornalismo chapa-branca monopolizando as verbas publicitárias e sufocando a maioria representada pelos milhares de outros periódicos "não-alinhados" à oligarquia; as rádios não-comerciais etc.

No Brasil, após sistemáticas críticas dos organismos internacionais contra as capengas leis das telecomunicações (permitindo, por exemplo, o clientelismo na distribuição das concessões de rádios e tevês), em 1998 o governo de FHC resolveu fazer uma reformulação meia-boca na legislação. Mas cerca de 70% dos parlamentares que formularam e aprovaram tal legislação eram donos de rádios e tevês ou estavam a serviço destes, ou seja, criou-se uma lei que veio muito mais para restringir do que democratizar o setor. Em suma: criaram uma nova lei que ainda traz graves reflexos dos tempos da ditadura. A nova lei em estudo no Congresso Nacional visa acabar com as vergonhosas barreiras para a distribuição de concessões de rádios e TVs e coibir o monopólio nas comunicações. Mas o jogo é duríssimo. Para barrar tal lei, a chamada "grande mídia" brasileira bolou um fantasma chamado "ameaça contra liberdade de imprensa" na imagem da "ditatorial" presidenta da Argentina e quase todos os dias martela tal "ameaça" nos seus noticiosos.

sexta-feira, 2 de março de 2012

Sobre a pergunta: o que quer dizer ilustrar?

por Moses Mendelssohn

http://www.fflch.usp.br/df/site/publicacoes/discurso/pdf/D19_Sobre_a_pergunta_o_que_quer_dizer_ilustrar.pdf

Digressão de Sísifo CLII

por Paulo Jonas de Lima Piva

A vida numa minissaia jeans e chinelinhos atravessando a tarde de labaredas. A vida de regata branca, shortinho azul, bebendo botecos e sorrindo "Foda-se!". A vida de miniblusa, tatuagem de fadinha na cintura, pele chocolate, desatolando a calcinha. A vida de umbigo de fora, suor na fronte, coxas roliças, dançando Jamiroquai. A vida assim, só de anéis, sem metafísica...

Serra: uma solução de alto risco para o PSDB


por José Dirceu

O PSDB continua dividido e apostando numa solução de alto risco: José Serra, candidato a prefeito, de novo, pela terceira vez, apesar da resistência do eleitorado. Sua rejeição é alta. Tem origem na má avaliação do governo do seu principal aliado, o atual prefeito Gilberto Kassab (PSD) e no desgaste de sua saída do governo em 2006 para ser candidato a governador.

A desaprovação a Serra provém, ainda, da desconfiança do eleitorado, uma vez que ele pode, de novo, abandonar a prefeitura para ser mais uma vez candidato a presidente.

Decorre, também, da divisão do seu partido, que desconfia que seu candidato a prefeito poderá sair do PSDB, uma vez eleito, para ser candidato à presidência da República já em 2014, pela aliança PPS-PSD.

Um quadro nada bom para Serra

O quadro, em si, já não é bom para Serra. Isso, sem falar na divisão do partido em São Paulo, tanto na capital, quanto no Estado. Há desentendimentos por todos os lados: entre os candidatos que foram obrigados a abandonar a prévia, e junto ao próprio governador, Geraldo Alckmin.

O que vemos é um cenário nada ruim para os adversários dos tucanos - o PT e o PMDB - que lançaram nomes novos e podem estar aliados no segundo turno.

São Paulo quer mudar e vai votar na novidade.


Fontehttp://www.zedirceu.com.br/index.php?option=com_content&task=view&&id=14657&Itemid=2

quinta-feira, 1 de março de 2012

FARC - A luta continua


por Miguel Urbano Rodrigues

"O leitor de Marx", de José Paulo Netto: um curso sobre o pensamento marxiano

por Paulo Jonas de Lima Piva

Em O leitor de Marx, o célebre marxista - e, sobretudo, marxólogo - brasileiro, José Paulo Netto, reúne em 503 páginas os textos de Marx e Engels fundamentais para um curso de introdução ao pensamento marxiano. Coletânea imprescindível.

quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012

Hedra lança "Nos cumes do desespero", de Emil Cioran


do site da Editora Hedra

Nos cumes do desespero foi escrito em romeno em 1933, quando o autor contava 22 anos de idade, sendo o primeiro livro do filósofo Emil Cioran. Explosão de angústia e lirismo, esta obra não tinha outra pretensão que não a de expressar de forma brutal e avassaladora a dor de existir. Laureada com o prêmio dos jovens escritos romenos, a obra também é fruto de suas leituras de Nietzsche, Schopenhauer, Bergson, Pascal e Dostoiévski. Mas para além das leituras e influências eruditas, Nos cumes do desespero é resultado sobretudo de sua experiência com a insônia, a vigília ininterrupta, esse “nada sem trégua”. Com a insônia, essa “lucidez vertiginosa que poderia converter o paraíso num centro de tortura”, Cioran postulou a inutilidade da filosofia e desde então passou a viver à margem das universidades, encontrando consolo no poder trêmulo das palavras. Inicialmente, o autor pretendia publicar essa obra como um testamento de um suicida, mas quando ela foi lançada em 1934 Cioran descobriu o alívio da palavra desencantada e desde então desenvolveu a arte da fórmula paradoxal e da máxima assombrosa e inesquecível, sem a qual, segundo o próprio autor, teria posto um fim aos seus dias. Obra inédita em português, em tradução direta do romeno e com apresentação de José Thomaz Brum. 

Emil Cioran (1911--1995) é um filósofo e ensaísta de origem romena. Formado em filosofia pela Universidade de Bucareste, a partir de 1937 se instala na França onde escreve a maior parte de sua obra, adotando o francês como sua língua de escrita. Em obras hoje consideradas clássicas como o Breviário de decomposição e os Silogismos de amargura, Cioran desenvolveu um estilo único que une reflexão e poesia em fórmulas tão brilhantes quanto desconcertantes. De um pessimismo implacável, sua obra representa um desafio ao pensamento. 

Fernando Klabin nasceu em São Paulo (SP) e formou-se em ciência política pela Universidade de Bucareste, Romênia, onde reside desde 1997. Do romeno traduziu, entre outras obras, Senhorita Christina, de Mircea Eliade (Tordesilhas); Acontecimentos da irrealidade imediata, de Max Blecher (Globo); Uma outra juventude e Dayan, de Mircea Eliade (editora 34); e poemas de Marin Sorescu e Geo Bogza publicados pela revista Poesia Sempre.

Ciro Gomes: Fernando Henrique Cardoso e José Serra destruíram o país em 8 anos de neoliberalismo tucano



Descoberta de uma edição da Bíblia de 1500 anos preocupa cristãos

A mais nova canalhice de Yoani Sánchez, a blogueira cubana de meio milhão de dólares: seguidores fantasmas e de aluguel nas redes sociais

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Notícias do paraíso neoliberal: são mais de 6500 os moradores de rua de Washington



Más de 6.500 personas sin techo duermen en las calles de Washington

do site da Telesur


As lições da revolução educacional finlandesa para o mundo

por Leonardo Cazes

Digressão de Sísifo CLI

por Paulo Jonas de Lima Piva

Pena eu não ser música! Se eu fosse melodia - Ah, se eu fosse melodia! -, invadiria sorrateiramente a sua ternura, derreteria sua angústia e examinaria com lupa cada um dos seus anseios, desnudaria todos os seus enigmas que surgem a cada xícara de café.

É pena mesmo eu não ser música. Se eu fosse - Caramba, se eu fosse! -, moveria seu absurdo com a força das minhas mãos rebeldes, daria o ritmo e o movimento perfeitos a esse seu quadril suado e enlouquecedor!

Mas como jamais serei canção - resigno-me, portanto, a ser a sua negação -, resta-me sentir sua falta na distância chuvosa dos minutos, estes que sem nenhuma piedade arrancaram você de mim, que a roubaram daquele instante em que nos incendiávamos, que nunca deveria ter acabado, em que fomos refrão... 



A perseguição do Partido da Imprensa Golpista (PIG) a Paulo Henrique Amorim


Elias Cândido: “Não podemos permitir que destruam o Paulo Henrique Amorim”

por Conceição Lemes, no blog Vi o Mundo


http://www.viomundo.com.br/entrevistas/elias-candido-nao-podemos-permitir-que-destruam-o-paulo-henrique.html

domingo, 26 de fevereiro de 2012

Presidenta Dilma manda milicos ajoelharem no milho


do Blog do Saraiva

http://saraiva13.blogspot.com/2012/02/presidenta-dilma-manda-milicos.html

Pesquisador que só "Lattes" não "morde" II – ampliando o debate


por Thiago Rocha

http://www.comunicacaoepolitica.com.br/blog/2012/02/pesquisador-que-so-%E2%80%98lattes%E2%80%99-nao-%E2%80%98morde%E2%80%99-ii-%E2%80%93-ampliando-o-debate/

Pesquisador que só "Lattes" não "morde"


por Thiago Rocha

Itapira: Ministério Público pede exoneração do irmão do vereador Toninho Orcini do cargo que ocupa na Câmara Municipal de Itapira


Na foto, o irmão do vereador munhozista Toninho Orcini, funcionário da Câmara dos Vereadores de Itapira que teve o cargo reprovado pelo MP. O vereador Toninho Orcini era vice-prefeito de Itapira quando seu irmão, Elias Orcini, passou a ocupar o cargo público sob pedido de exoneração do MP 


MP pede exoneração de assessor jurídico da Câmara 

do Gazeta Itapirense via Facebook


O Ministério Público (MP) pediu a exoneração do advogado Elias Orsini do cargo de Assessor Técnico Jurídico da Câmara Municipal. O presidente da Casa, Manoel Marques, recebeu a notificação da decisão através de uma Recomendação Administrativa despachada pela Promotoria na última terça-feira, 14. Marques recebeu prazo improrrogável de 60 dias para cumprir a decisão e informar o MP. Neste prazo, terá também que abrir concurso público para provimento legal do cargo. Na tarde de ontem, Orsini limitou-se a informar que já havia sido comunicado da decisão pelo presidente, mas preferiu não comentar o assunto até que o Ato de Exoneração seja publicado. “É uma decisão da Promotoria e precisa ser acatada”, pontuou.

O advogado, que é irmão do vereador Toninho Orcini (PDT), prestou concurso em 1994, passando em primeiro lugar para o cargo de Auxiliar Administrativo, posteriormente transformado em Assessor Legislativo. Entretanto, foi nomeado para ocupar a Assessoria Técnica Jurídica em setembro de 1997 pelo então presidente da Câmara, Juraci Olbi. Na época, ele já auxiliava o então assessor jurídico da Câmara, Archimedes Della Santina, e passou a acumular a função após a aposentadoria do titular. 


A representação deu entrada no Ministério Público em abril do ano passado, com autoria do advogado Vandré Bassi Cavalheiro, e foi acatada pelo promotor de Justiça Roberto Lino Junior, tornando-se Inquérito Civil em julho do mesmo ano. O advogado tomou como base, principalmente, o Artigo 37 da Constituição Federal, que veta a contratação para cargos públicos sem aprovação em concurso, ressalvadas nomeações para cargos em comissão declarados em lei – que não é o caso do posto de Assessor Técnico Jurídico.

“Só podem ser ocupados cargos em comissão nos casos de direção, chefia e assessoramento. Na Câmara, o assessor exerce o cargo como um procurador, o que não é permitido” explicou ontem à reportagem o advogado autor da ação. “A função do Assessor Jurídico da Câmara é essencialmente técnica. Assim, pouco importa o nome que lhe é dado, mas sim a natureza das funções desempenhadas. Por isso, esse cargo deve ser provido por meio de concurso público”, completou.

Em julho do ano passado, Cavalheiro também deu entrada em representação com o mesmo teor no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP). Em Outubro de 2010, um ofício enviado a Cavalheiro pelo então presidente da Câmara, Paulo Andrade, informava Elias Orsini responde pelo cargo de Assessor Técnico Jurídico sem ganhar nada a mais pela função acumulada, uma vez que o padrão de vencimento dos dois cargos é o mesmo. No documento, Andrade frisa ainda que Orsini responde “com competência pela função, sem qualquer ônus a mais ao Poder Público”.

O promotor Roberto Lino Junior não falou com a reportagem sobre o caso, informando que estava ocupado em compromissos da Promotoria. Em sua Recomendação Administrativa, o promotor notificou o presidente da Câmara para que não contrate nenhuma outra pessoa para prestar serviços à Câmara sem prévia realização de concurso público, salvo para os casos permitidos na Legislação vigente. Recomendou ainda que não sejam realizadas nomeações de servidores estatutários, em título precário, para cargos de provimento permanente. Determinou ainda que seja dada ampla publicidade da decisão nos órgãos de publicações oficiais da Prefeitura e comunique a todos os vereadores. Manoel Marques não atendeu os telefonemas da reportagem.

sábado, 25 de fevereiro de 2012

Arnaldo Baptista: "Será que eu vou virar bolor?"

O ateísmo de Drauzio Varella: "os religiosos são muito violentos com aqueles que não são religiosos"

Digressão de Sísifo CL

por Paulo Jonas de Lima Piva

Assim, sem culpa, bem promíscua... Arrependa-se apenas dos desejos abortados, daqueles que você renunciou só para cumprir pactos mesquinhos. Virtudes tolas nos impedem de gemer, sorrir, experimentar. A vida é só esta que está escorrendo com o entardecer. Traídos são só os desejos não realizados. São tantos os corpos quentes e famintos voando entre os carros, tantas as subjetividades singulares fechadas sérias no ponto de ônibus, levantando das carteiras, acendendo cigarros, esperando por um sinal. Assim, morena, sem culpa... Você tem fogo, vida demais, para se condenar a um só.

Sobre o blablablá, as afetações e outros ouros de tolo do mundinho da filosofia universitária



do site da Editora José Olympio


SOBRE O BLABLABLÁ E O MAS-MAS DOS FILÓSOFOS


Este ensaio surpreende os filósofos em alguns de seus pecados mais comuns: o palavrório e o pedantismo. Armado com o desiludido humor cioraniano e aguçado por uma lucidez cara a Clément Rosset, Frédéric Schiffter investe contra os que denigrem as aparências e preferem refugiar-se em alguma zona inabordável. Ao longo de suas divagações provocativas, reencontramos os ridicularizados sofistas, o diletante Montaigne, o agudo Baltasar Gracián e assistimos ao encontro feliz de um pensamento e de um estilo.

Para José Thomaz Brum, Sobre o blablablá e o mas-mas dos filósofos é fruto das reflexões de um professor sobre a vida, de um modo geral, sobre a filosofia que ele leciona, em particular, e, talvez, acima de tudo, sobre a que ele não ensina e se recusa a ensinar, ou seja, a filosofia em todas as suas formas acadêmicas, mesmo quando estas concernem a filósofos ilustres. Schiffter não é contra a filosofia ou os filósofos, longe disso. Mas propõe uma outra filosofia, dita alternativa, que constitui uma espécie de pensamento paralelo em relação à filosofia oficialmente reconhecida como tal. Para o autor, escrever de forma rápida e lapidar é o ideal. No Prólogo, ele afirma : "o prazer de ler aforismos, portanto, não se prende apenas a uma questão de estilo, mas também a uma questão de conforto intelectual. Um livro de Aristóteles, Kant ou Hegel me desanima. Supostamente oferecendo uma visão global e coerente da realidade, um sistema deve ser de acesso fácil. Ora, constata-se justamente o contrário. Ninguém pode ter a pretensão de conhecer a visão de mundo desses filósofos extensos, repetitivos e, muitas vezes, confusos. É por isso que o aforismo me satisfaz. Viver é abreviar e, nesse ponto, um ensaio deve imitar a vida."

As reflexões de Schiffter são inseparáveis de um humor calcado no ceticismo e no pessimismo, um pouco à maneira de Cioran. O professor faz do tédio um componente fundamental da vida humana e, ao mesmo tempo, defende a realidade contra as utopias que impedem dela uma visão lúcida, e que ele situa em duas categorias filosóficas que lhe são peculiares: a ordem do blablablá e a ordem do mas-mas. A primeira concerne ao campo dos discursos destinados a entorpecer a desconfiança e o espírito crítico. A segunda, ao campo dos discursos que têm por vocação desvalorizar a vida real em prol da essência. O homem do blablablá enaltece o irreal: é um charlatão. O homem do mas-mas deprecia o real: é um pedante afetado. 

O AUTOR: Frédéric Schiffter é professor de filosofia e já publicou os seguintes livros: Lettre sur l"elégance (1988) e Guy Debord, l"atrabilaire (1997).

Isso é uma vergonha! Boris Casoy, âncora que envergonhou o Brasil com o episódio da humilhação dos garis, vitimiza dona da Daslú, empresária de luxo condenada a 94 anos de prisão, e culpa governo Lula pelo câncer que a matou




por Paulo Jonas de Lima Piva

O vídeo acima é de um absurdo sem tamanho. Boris Casoy, o velho pitbull do conservadorismo e dos interesses das elites brasileiras, o grande paladino da implementação do neoliberalismo no Brasil nos anos 90 com FHC-Serra, na sua condição execrável de âncora - este o personagem mais autoritário e covarde do jornalismo -, ataca mais uma vez. Agora em defesa da falecida dona da Daslu, condenada a 94 anos de prisão por crimes contra os cofres públicos. A propósito, abaixo, o vídeo em que Boris Casoy revela todo o seu elitismo de quem ganha milhões por mês e que, segundo alguns, foi militante do CCC (Comando de Caça aos Comunistas) durante a ditadura militar brasileira. O âncora humilha garis, e com muito escárnio. O curioso é que o departamento de jornalismo da Rede Bandeirantes não o demitiu por isso. Ou seja, a Band, empresa visceralmente ligada ao latifúndio brasileiro e ao agronegócio, endossou a atitude do seu empregado, agindo assim como cúmplice.

Vale a pena se indignar de novo:

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Livro sobre a luta do povo venezuelano: "Hugo Chávez em seu labirinto: o Movimento Boliviariano e a política na Venezuela"


do site da Alameda Editorial


por Marcelo Ridenti, Professor titular de Sociologia no IFCH/Unicamp


A VENEZUELA DE CHÁVEZ tem sido tema constante na grande imprensa brasileira, geralmente em matérias de tom depreciativo a seu governo. Já os partidários do presidente ocupam espaço em publicações alternativas, raramente com alguma crítica de fundo ao “socialismo bolivariano”. Contudo, ainda são poucas as análises aprofundadas sobre o assunto.

Este livro vem preencher uma lacuna nos estudos brasileiros sobre a América Latina. Com base em ampla bibliografia e numa pesquisa de campo que envolveu longa visita à Venezuela, o autor explica com clareza, talento e competência as origens sociais e políticas do bolivarianismo e do chavismo, seus dilemas e perspectivas.

Remonta à ascensão da democracia representativa na Venezuela, após a queda do ditador Pérez Jiménez. Constituiu-se então uma “hegemonia duradoura”, fundada economicamente na exploração do petróleo, que permitiu articular diferentes forças sociais e políticas. Ela se baseava no Pacto de Punto Fijo, de 1958, organizado pelos dois partidos mais destacados, a AD e o COPEI. Social-democratas e democratas cristãos revezaram-se no poder até a crise que levaria à eleição de Chávez, que assumiria a presidência em 1999.

Para compreender o fenômeno Chávez, Flávio Mendes retoma criticamente o conceito de populismo, que não daria conta da complexidade do tema. Busca a explicação no “processo de crise orgânica que afetou a sociedade venezuelana no início dos anos 1980”. A crise de hegemonia ficaria evidenciada na revolta popular de 1989, conhecida como Sacudón ou Caracazo. Desse processo social conturbado surgiriam a liderança do tenente-coronel Chávez e o movimento bolivariano.

O autor centra-se nos anos 1980 e 1990, mas não recua diante do desafio de pensar o presente, em que a sociedade venezuelana se encontra polarizada entre apoiadores do governo e de uma oposição diversificada, a colocar o país numa situação de impasse. A obra fornece um fio que ajuda o leitor a situar-se no labirinto da Venezuela contemporânea.

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Sobre o autor: Flávio da Silva Mendes é graduado em Ciências Sociais pela FFLCH/USP e doutorando no programa de Pós- -Graduação em Sociologia do IFCH/Unicamp, onde também realizou a pesquisa de mestrado que deu origem a este livro

Fonte: http://www.alamedaeditorial.com.br/hugo-chavez-em-seu-labirinto/

Visão da crise campineira na opinião dos dirigentes do PT

por José Dirceu


A eclosão da crise política e de governo que se arrasta há meses em Campinas resulta de ação comandada pelo PSDB, que não se conforma de perder as eleições e quer, a todo custo, o comando de Campinas. O partido tem como coadjuvante nesse trabalho o Ministério Público (MP).

O que ocorre ali, de fato, é pura prevaricação, abuso de poder e chantagem para atingir o PT e tomar Campinas, onde já vencemos a eleição quatro vezes, derrotando seus candidatos.


Ontem, entrevistamos e publicamos aqui entrevista com o presidente municipal do PT de Campinas, Ari Vicente Fernandes - leiam o post  “A quem serve o PTB ao pedir eleição indireta em Campinas?”. Hoje, falamos com o presidente estadual do PT, deputado Edinho Silva.

Sobre a quem servem os que defendem a eleição indireta em Campinas, Edinho é claro: “Não sei a quem serve, só não serve a democracia”. O deputado aponta, primeiramente, as condições sob as quais Demétrio Vilagra foi cassado, sobre as quais eu também já falei aqui, exaustivamente.


Falta embasamento legal à cassação de Vilagra

“É algo que carece de embasamento legal - observa Edinho - , você não tem nenhuma prova que justifique o afastamento de um prefeito do cargo”. Nessa linha autoritária, o chefe do executivo que assume o faz sem nenhuma legitimidade. “Só tem uma forma de você construir um governo legítimo: o voto popular”, defende Edinho Silva, que alerta para a afronta ao Estado de Direito com as definições embutida nesta decisão sobre a eleição indireta em Campinas.

Sintomaticamente, no mesmo dia (última terça, dia 14) em que o PTB foi contemplado com a secretaria municipal de Segurança  Pública, o partido entrou pedindo na corte eleitoral estadual reforçando a reivindicação da Câmara Municipal por eleições indiretas.

E as relações de interesse seguem levantando polêmicas. Quanto à aliança entre PSDB e PSB para a eleição de outubro próximo, o deputado Edinho coloca: “Para nos é contraditório. O papel do PSDB no Brasil é o de oposição ao nosso governo. Já o PSB, no plano nacional, tem sido parceiro importante na construção de um novo país, tanto no governo Lula quanto na gestão Dilma”.

Edinho conclui:“Nós gostaríamos muito que o PSB estivesse conversando conosco sobre um projeto que represente um avanço político para a cidade de Campinas”.

Leia também o destaque do dia, a nota "Eleição indireta em Campinas é um desserviço à democracia".

Bocejo de Sísifo LXXVIII

por Paulo Jonas de Lima Piva


"(...) Estou cansado de esperar pela morte. Vamos sair.
- Sair pra onde? - ela perguntou."

(Bukowski, "Menos delicado que os gafanhotos", Numa fria, p. 9)



Fim de orgasmo, instante máximo da lucidez, momento único e silencioso em que o Nada se revela absoluto e inelutável à consciência e ao estômago, não mais como conceito, mas como fato cinza e cansaço em meio à determinação cega momentaneamente vencida...

Drauzio Varella fala sobre o seu ateísmo e critica o autoritarismo e os absurdos da igreja católica, que excomunga mães que fazem aborto e que não excomunga estupradores

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Bocejo de Sísifo LXXVII


por Paulo Jonas de Lima Piva

Do útero ao túmulo: eis a vida, eis o curto tobogã da condição humana. O resto é especulação oca, medo do absurdo e do nada, vontade de mentira, desconversa e fuga pela suspensão do juízo, necessidade de fantasia e consolo...

"Filosofia Clandestina: volume 2": o "Testamento de Jean Meslier" adulterado por Voltaire agora em edição brasileira


por Paulo Jonas de Lima Piva

A editora Martins Fontes está de parabéns mais uma vez. Acaba de sair Filosofia Clandestina: volume 2, uma compilação de textos de autores marginais do século XVIII francês, dentre eles, o Testamento de Jean Meslier, livro organizado por Voltaire e lançado em 1762. Poderíamos dizer que é a primeira vez nos últimos dois séculos que o desconhecido Jean Meslier é homenageado com uma tradução brasileira, porém, o Testamento organizado por Voltaire consiste numa adulteração inescrupulosa da obra original, uma verdadeira violência contra o seu autor cometida pelo contista de Cândido.

Jean Meslier, que nasceu numa aldeia no norte da França em 1664 e que faleceu provavelmente em 1729, era um padre ateu, materialista e comunista, três posturas que Voltaire simplesmente abominava por temê-las caso se espalhassem pelas consciências dos seus contemporâneos, sobretudo os das classes pobres e oprimidas pelo Antigo Regime. Entretanto, a crítica demolidora aos dogmas da religião judaico-cristã e o anticlericalismo virulento de Meslier foram de grande utilidade para o deísmo militante do aristocrata e proprietário de terras Voltaire. Na maior cara dura, Voltaire compôs o Testamento de Jean Meslier excluindo da obra original de Meslier, as Memórias dos pensamentos e dos sentimentos de Jean Meslier, o que havia de mais contundente e original, mais exatamente a parte referente à diatribe do padre contra a propriedade privada e o seu discurso de incitamento a um levante camponês que enforcasse o último grande senhor feudal com as tripas do último homem de batina. Mas o pior de tudo ficou para o final: Voltaire transformou Meslier num padre deísta, ou seja, num adepto da tese da existência de uma divindade, só que não a divindade da tradição judaico-cristã. 

Sacanagens históricas à parte, Filosofia Clandestina: volume 2 mostra que as Luzes francesas foram muito mais do que Voltaire, Montesquieu, Diderot e Rousseau.

Sem ambição, sem talento, sem sorte: os tipos fantásticos de Bukowski em "Numa Fria"


por Paulo Jonas de Lima Piva

Numa fria, de Charles Bukowski, encontrado em edição de bolso pela L&PM, é um excelente livro de contos, o melhor para se introduzir na obra do autor de Mulheres. Os personagens e as situações que compõem Numa Fria são únicos! 

sábado, 18 de fevereiro de 2012

Magnatas da mídia na cadeia: Rafael Correa vence mais um round contra a oligarquia midiática equatoriana

As lutas do MST em 2012

Chávez ainda enterrará Merval e o resto da mídia moribunda


do Blog da Cidadania


Não faz muito tempo, li no portal do jornal O Estado de São Paulo na internet um artigo de uma das marionetes dos barões da imprensa atacando o que chamou de “jornalismo cidadão”. O sujeito dizia que blogs como este não teriam qualidade jornalística, não checariam informações como a grande imprensa, e que, portanto, não seriam confiáveis.

Naquele momento, a primeira coisa que me veio à mente foi a ficha policial falsa que o jornal Folha de São Paulo recebeu por e-mail de fonte anônima há alguns anos e publicou no alto de sua primeira página, com o maior destaque possível. Fiquei me perguntando como alguém pode ser tão cara-de-pau a ponto de dizer que uma imprensa que faz isso seria mais confiável.

Para fortalecer sua teoria, o teleguiado da família Mesquita usou como “exemplo” de sua tese notícias veiculadas por blogs sobre desaparecidos durante o massacre do Pinheirinho. O tal “blogueiro” do Estadão mentiu dizendo que blogs anunciaram mortes, quando anunciaram desaparecimentos.
O fato é que a blogosfera tem sido um exemplo de bom jornalismo, pois quando erra faz suas reparações e permite espaço ao contraditório de suas diversas linhas editoriais, contraditório esse que a grande imprensa nega a quem dela diverge.

Se checagem rigorosa de informações for evidência de bom jornalismo – e é, apesar de não ser a única –, a mídia da ficha falsa da Dilma ou do grampo sem áudio no STF agora tem mais um passivo, a morte iminente de Hugo Chávez que começou a ser anunciada em janeiro e que na última quinta-feira (16) foi endossada, sem checagem, pelo “imortal” Merval Pereira.

Leia, abaixo, post de Merval em seu blog no qual “mata” Hugo Chávez: